Relato de Experiência – Batalhas Físicas e Astrais com uma Egrégora “companheira”: entre a proteção e o “fogo amigo”

Relato de Experiência - Batalhas Físicas e Astrais com uma Egrégora “companheira”: entre a proteção e o “fogo amigo”

Por Frater M.F

Quando falamos de “Egrégora”, rapidamente o que nos vêm à mente são as reuniões religiosas ou místicas, pertencentes a igrejas, congregações ou movimentos espiritualistas. A Tradição Esotérica Ocidental costuma se referir a Egrégoras quase sempre sob um ponto de vista “mágico”, e considera-las quase sempre como “formas energéticas” que são direcionadas a fins espirituais; porém, na prática isso nem sempre condiz com a verdade.

O relato de experiência que irei apresentar neste artigo, mostra o quão “escorregadio” pode ser a relação com uma Egrégora, e como os efeitos dessa relação podem ser visíveis no plano físico, “a olho nu”. Este relato consiste de experiências cerimoniais e magísticas que tive com uma Egrégora específica da qual participei ativamente por uma década, e com a qual mantive grande vínculo afetivo. Esta Egrégora (pertencente a um grande evento do qual fiz parte) mostrou-se extremamente “agressiva” e “inconformada” após certas decisões pessoais que tomei, gerando assim uma série de ataques e contra-ataques mágicos por um período estipulado de 6 meses.

Este relato de experiência tem também o objetivo de discutir o que são (na prática, e não só na teoria) as Egrégoras, como elas funcionam e quais seus principais efeitos mágicos, além de:

Mostrar ao leitor, que as Egrégoras não são necessariamente “boas”, como muitos praticantes e estudantes de esoterismo pensam atualmente;

Mostrar que as Egrégoras estão diretamente interessadas em sua própria sobrevivência, e nem sempre oferecem “proteção” a seus membros, se sua sobrevivência estiver em jogo;

Mostrar ao leitor que o desligamento de uma Egrégora não é feito apenas “afastando-se” dela, mas sim magicamente, através de operações cerimoniais de grosso calibre.

O que são as Egrégoras?

O conceito de Egrégora está intimamente ligado ao conceito de “coletividade”. Proveniente do termo grego “Egrêgorein” (que significa “velar” ou “vigiar”), as Egrégoras nada mais são que formas espirituais ou campos energéticos criados a partir da união de interesses em comum, entre duas ou mais pessoas. Esses interesses não precisam ser necessariamente espirituais, e é aqui que muitos estudantes de esoterismo da atualidade começam a errar: as Egrégoras podem ser baseadas em interesses políticos, filosóficos, afetivos, ou de qualquer outra natureza humana.

A discussão sobre o conceito de Egrégora tornou-se mais frequente a partir do século 19, por meio dos estudos teosóficos de C.W. Leadbeater, a respeito de sua famosa teoria das “formas-pensamento”. Porém, as inúmeras teorias a respeito de como funciona uma Egrégora, quais seus efeitos, e o que elas podem fazer por um Mago, só fizeram o assunto tornar-se ainda mais confuso e dúbio.

Como funcionam as Egrégoras?

As Egrégoras seguem uma forma de funcionamento extremamente utilitária, procurando manter-se “vivas” o quanto puderem. Quando duas ou mais pessoas reúnem-se em torno de um mesmo objetivo ou ideal cria-se então uma Egrégora, que irá representar e defender (a nível astral) os ideais e interesses defendidos por aquele grupo, fazendo-os prosperar no plano físico.

Toda Egrégora precisa ser “alimentada” por seus membros; essa alimentação consiste basicamente de duas coisas:

Dedicação dos membros em torno da Egrégora, através de atividades que tenham como objetivo fortalecer os ideais do grupo;

Divulgação da Egrégora por parte dos membros, como forma de ampliar o alcance dos ideais do grupo.

As Egrégoras podem ser geradas de 2 formas: naturalmente, ou de forma mágica (através de rituais). As Egrégoras geradas de forma “natural” são criadas espontaneamente (e quase sempre inconscientemente), através da simples reunião de pessoas em torno de um objetivo em comum. Já aquelas criadas de maneira mágica são geradas através de operações e rituais específicos para esse fim. Independente do tipo de geração, todas as Egrégoras ganham vida própria após sua criação, mas sua sobrevivência depende diretamente de seus membros e criadores. Segundo Séguret (2019), as Egrégoras “nunca querem morrer, e como seres vivos, cobram o alimento aos seus genitores, induzindo-os a produzir, repetidamente, as mesmas emoções” (SÉGURET, 2019, p.1).

As Egrégoras podem ser geradas de forma espontânea (e quase sempre inconsciente) ou mágica, através de rituais específicos apenas para esse fim. Porém, sempre irão depender de seus criadores, líderes e membros para sobreviver, por mais que tenha vida própria.

Um dos grandes erros dos estudantes de magia e esoterismo da atualidade é deixarem-se levar por raciocínios modernos puramente mentalistas, acreditando que as Egrégoras são simplesmente “energias” ou “forças psíquicas de seus criadores”, e que fazendo parte de uma Egrégora estarão “protegidos de qualquer perigo”, pois elas são “boas”. Isso não passa de uma ilusão: as Egrégoras são seres vivos, amorais, que possuem vida própria e precisam ser “alimentados” (divulgados e fortalecidos) por seus criadores, sob pena de serem mortas. Quando as Egrégoras percebem que sua divulgação está enfraquecida, e que seu “alimento” está sob risco, elas obrigatoriamente irão voltar-se para seus líderes ou criadores, e irão cobrar o alimento pelos serviços que prestaram. Essa cobrança muitas vezes pode ser feita de forma agressiva, colocando em risco a segurança dos próprios líderes e criadores da Egrégora, dependendo do grau de necessidade da própria Egrégora. A partir daí, caberá ao líder ou membro da Egrégora mantê-la sob controle, através do uso de autoridade mágica, já que o desligamento de uma Egrégora não pode ser feito, simplesmente “a deixando de lado”. É o que veremos no relato a seguir.

Batalhas espirituais com uma Egrégora: entre a “fama” e o “fogo amigo”

Durante uma década de minha vida, participei de um grande evento em minha cidade (o qual não pretendo citar o nome), coordenando uma área específica do evento com a qual tinha bastante afinidade, e chefiando uma equipe de organizadores diretamente escolhidos por mim. Esses organizadores eram em sua maioria conhecidos íntimos meus, que faziam o clima do setor em que trabalhávamos ser extremamente saudável e divertido: todos formavam uma espécie de “família”, participando deste evento mais pelo prazer de estarem juntos, que pela obrigação de trabalharem. Nascia então, de maneira espontânea, a Egrégora que eu iria dominar por mais de 10 anos…

Com o decorrer dos anos, a qualidade do trabalho realizado por meu setor do evento, através da dedicação e comprometimento de meus organizadores, fizeram a área que coordenava tornar-se conhecida em toda a cidade. A Egrégora que foi criada começou a se fortalecer rapidamente: a cada ano o público que frequentava o evento era cada vez maior, aumentando também a procura pelo setor coordenado por mim. Em pouco mais de 4 anos, a equipe que chefiei tornou-se uma espécie de “exemplo” de competência, alçando minha figura a uma espécie de “líder” e “centro operativo” de tudo o que ocorria ali.

Com o fortalecimento daquela Egrégora, o intercâmbio mágico foi rápido: não demorou pra que minha fama começasse a se espalhar. Por volta de 2008, comecei a fazer aparições na mídia local de minha cidade, através de participações em programas de TV e rádio. A partir de 2009, com a expansão do evento, me vi envolvido em todo tipo de plataforma midiática: tanto assumi a apresentação do programa oficial de TV do evento, como passei a atuar também no rádio e em jornal impresso. Àquela altura, minha relação com a Egrégora do setor que chefiava no evento era simples: em troca de seu alimento (divulgação e dedicação ao fortalecimento da Egrégora), ela me dava fama e sucesso relacionado a tudo que estivesse ligado ao evento em si. Qualquer atividade comum tornava-se um desafio: ir ao shopping e encontrar amigos tornou-se missão quase impossível (diante das abordagens que eram feitas). Essa relação de fama, sucesso, e estabilidade emocional durou pouco mais de 5 anos, atingindo seu auge por volta do biênio 2007-2008.

A partir de 2009, comecei a enfrentar o desmanche da equipe de organizadores que coordenava nesse evento. Como se tratava de uma ação voluntária, muitos dos organizadores começaram a dar mais prioridade a assuntos particulares (filhos, emprego, família) se despedindo do evento e se afastando da organização e do setor que coordenava; isso fez com que a qualidade do trabalho realizado começasse a cair. Aos poucos, a formação inicial daquele grupo começou a se “desmanchar”, como um “boneco de cera que se derrete ao sol”.

Com o passar dos anos, o prazer inicial que sentia em organizar aquele setor específico do evento começou a transformar-se numa espécie de “obrigação”. A ausência dos organizadores que haviam se retirado da equipe começou a fazer-me sentir nostálgico e saudosista, e a cada evento que era realizado tornaram-se comuns as lembranças em torno das pessoas que haviam deixado a equipe. O clima e o ambiente não eram mais os mesmos, e a desistência em massa dos organizadores começou a prejudicar até mesmo o andamento das atividades do setor. Com a queda na qualidade do trabalho da equipe, o número de pessoas que começou a frequentar o espaço coordenado por mim no evento começou a cair, e isso atingiu diretamente a Egrégora, que começou a sentir o “golpe” em sua “alimentação”.

Em 2012, após quase uma década de dedicação à Egrégora e ao setor que coordenava naquele evento de minha cidade, fui informado que os projetos ligados às plataformas midiáticas seriam extintos: era o fim do programa oficial de TV do evento, e de seu programa de rádio. Essa foi a gota d’água que esperava: decidi então fazer minha despedida da coordenação daquele setor do evento, e realizar a edição comemorativa de 10 anos do espaço, para repassar a chefia e a liderança do setor para algum dos poucos organizadores que haviam restado. A decisão estava tomada, e tratava-se de algo irremediável.

Com a decisão de me retirar da coordenação daquele espaço do evento em que participava durante 10 anos, a Egrégora do setor entrou em desespero. A partir daí, ela começou um processo de obsessão em torno de minha pessoa, através de aproximações iniciais sutis. Primeiramente, notei o desespero da Egrégora, mas cometi o erro de não julgá-la capaz de arriscar nada contra minha pessoa, uma vez que eu era o líder daquele setor do evento, e chefe daquela entidade. De qualquer forma, comecei a notar situações curiosas, a partir do instante em que decidi me retirar da coordenação daquele setor do evento:

  • Pessoas desconhecidas, ou com as quais tinha pouco contato no evento, começaram a aproximar-se de mim de maneira confusa e inexplicável, para pedir-me que “não deixasse o evento”, mesmo que eu não tivesse declarado minhas intenções pra ninguém ainda;
  • A partir de minha decisão, comecei a ter sonhos confusos, onde ouvia vozes de pessoas que simplesmente diziam: “não me deixe!”. Nesses sonhos, sempre tentava identificar o dono da voz, mas nunca conseguia localizar ninguém.

Rapidamente percebi que aquelas situações tratavam-se de “comunicações diretas” da Egrégora que liderava naquele evento: ela queria me convencer a não me retirar da coordenação do evento, pois via seu fim se aproximando. Segundo Fortune (2000), as Egrégoras são entidades cuja vida é ativa no plano astral, e que por isso mesmo, quando precisam se comunicar com seus criadores ou mestres no plano físico, precisam usar ferramentas que estejam acessíveis no próprio plano físico. Essas ferramentas incluem até mesmo usar outras pessoas como “emissários de recados” da própria Egrégora, já que:

As forças espirituais não podem se exercer no plano da forma, neste momento em que a forma é tão altamente organizada, sem fazer uso de intermediários, razão pela qual é preciso que encontrem pessoas que corram o risco de se empenhar, com a consciência finita, no discernimento da mente de Deus e em sua expressão nos planos da forma. (FORTUNE, 2000, p.65, grifo nosso).

De certa maneira, fui relapso em deixar a Egrégora se expressar dessa maneira, livremente, sem controle e da forma que queria. Egrégoras são “animais astrais” que precisam ser alimentados, e como tal não possuem discernimento a respeito do que é ou não “correto” a se fazer. Cabe ao Mago lhes impor limites, através do uso da autoridade.

Em 2013, realizei aquela que seria minha última participação coordenando aquele setor do evento, mesmo com a Egrégora (àquela altura) estando em aflição. Aquele evento comemorativo foi mais cansativo que o usual: durante os 3 dias de realização do evento (uma sexta-feira, um sábado e um domingo), minha equipe consistia basicamente de poucos organizadores que haviam restado (e que não haviam ainda se retirado do evento); por isso, tive de improvisar e selecionar novos membros para o setor que coordenava. Esses membros já não tinham o mesmo grau de comprometimento que os demais membros tiveram durante anos, deixando a Egrégora talvez ainda mais desesperada. Porém, o auge de seu desespero se deu na madrugada de sábado para domingo: em casa, tive uma súbita “crise” de ansiedade, provocada (mais tarde diagnosticada) pelo stress decorrente do evento. Na ocasião, por conta da crise de ansiedade tive perda de consciência, recebendo atendimento hospitalar na manhã de domingo, e deixando de ir ao evento em seu último dia (o que ironicamente, não me deixou insatisfeito, e sim aliviado). As demais atividades foram encerradas por um de meus organizadores, que mais tarde iria assumir a função de coordenador do espaço (função que ocupa atualmente).

Com o passar das semanas, após o fim do evento, comecei a analisar a real natureza de meu “mal súbito”. De certa forma, algo me deixava intrigado, e a velocidade com a qual fui atingido por aquela crise de stress me soou “surreal”. Conversei com companheiros magistas de minha cidade, e após muito estudo e análise sobre tudo que antecedeu aquele evento, chegamos a uma só conclusão: o “mal súbito” de stress foi na verdade um ataque desesperado da Egrégora à minha pessoa, numa tentativa frustrada que poderia ter tido resultados piores. Todas as análises que fiz em relação ao acontecido seguiram o método das analogias de Papus (1973), já que segundo ele, tudo que ocorre no visível é manifestação do invisível. Assim,

O método analógico não é pois a indução ou a dedução: é o uso da claridade que resulta da união desses dois métodos. […] Se uma coisa é análoga à outra, todas as partes de que essa coisa é composta são análogas às partes correspondentes da outra. (PAPUS, 1973, p.45-47).

A análise que fiz dos fatos foi clara o suficiente:

  • O “mal súbito” de stress que tive, se deu na madrugada de um domingo (portanto, ainda sábado, o que caracteriza dia de Saturno). Isso nos leva a concluir que o “mal súbito de stress” foi na verdade um ataque desesperado da Egrégora, sem planejamento algum por parte dela, mas que poderia ter tido resultados mais trágicos, uma vez que poderia ter me “eliminado” junto com ela (que fatalmente iria “morrer” com meu desligamento da coordenação daquele espaço);
  • A data do ataque se deu, mais exatamente, no dia 13 de julho de 2013 (13/7/13). Usando o Tarô como ferramenta analógica, as correlações do número 13 simbolizam o arcano “Morte”, que nesse caso, pode ser encarado não como a morte física, mas como uma mudança drástica (quase sempre procurada pelo ser humano) de relacionamento que se daria a partir daquele momento, entre aquela Egrégora que dominei por uma década (e que me proporcionou fama e sucesso, a nível midiático), e eu (que àquela altura estava desgastado daquele tipo de relação com o evento, com o setor o qual coordenava, e com a própria Egrégora em si).

Não restavam mais dúvidas: havia sofrido um forte ataque mágico da Egrégora do setor que havia coordenado naquele evento por quase 10 anos. A partir dali, além de me retirar do evento, tomei também outra decisão: era preciso preparar um forte contragolpe mágico contra a Egrégora, para devolvê-la a “gentileza” que havia me dado com seu “carinho desesperado”.

O contra-ataque mágico: um duro golpe nas intenções da Egrégora

A partir daquele momento, o “fogo amigo” estava autorizado, e então me vi impelido a agir de forma potente contra a Egrégora que havia chefiado durante 10 anos; porém, minha intenção não era “eliminá-la” (como o ataque que foi desferido contra mim), mas sim conscientizá-la de que nossa relação havia chegado ao fim, e que nada do que ela tentasse a partir daquele instante poderia reverter minha decisão. Logicamente, essa “conscientização mágica” iria fazer uso da Força e da Autoridade mágica que me eram pertinentes, e para isso, não poupei esforços: durante os 6 meses seguintes, me preparei rigidamente para operar cerimonialmente contra aquela Egrégora.

O grande desafio daquela operação foi encontrar uma data conveniente, onde pudesse ter liberdade de ação, privacidade e tempo disponível para executar toda a cerimônia estruturada. Porém, o objetivo estava claro: não iria destruir (matar) a Egrégora, pois não tratava-se de uma simples operação espiritual de “vingança”; iria apenas conscientizá-la a respeito da mudança de rumos que nossa relação havia tomado, fazendo-a perceber que a partir dali não iria mais “tomar as rédeas” sobre ela. Portanto, nessa mesma operação, transferi toda minha autoridade mágica sobre aquela Egrégora para outra pessoa (um de meus organizadores, o último da antiga formação do setor que havia restado, e que não havia se retirado do evento).

Após preparar todos os materiais e escrever uma liturgia simples para a operação, a oportunidade para executá-la surgiu, criando uma sincronicidade absurda. A operação iria ser realizada no dia 13 de dezembro de 2013, exatos 5 meses após o ataque desferido contra mim, pela Egrégora. Nesse dia, estaria com tempo livre, espaço disponível, e sozinho tempo o suficiente para executá-la com todo preparo e tranquilidade.

O primeiro grande diferencial desse contra-ataque que realizei, seu deu em relação aos ideais da própria operação. Enquanto o ataque desferido pela Egrégora foi movido à base de desespero e rancor (com o medo de “morrer” que a Egrégora demonstrou), meu contragolpe foi baseado em carinho, Força, conscientização e Autoridade. Por isso, “coincidentemente” (coincidências não existem), a operação foi realizada numa sexta-feira, dia de Vênus.

A liturgia da operação foi simples, porém efetiva: leitura de salmos dedicados à intenção da operação; queima de incenso; uso de orações e invocações de nomes divinos; uso de uma foto com o símbolo do setor que coordenava (e consequentemente símbolo da Egrégora), e execução oral dos objetivos da operação (desligamento formal do comando da Egrégora, e transferência de autoridade sobre ela, para o organizador de minha equipe, já citado. O organizador que “recebeu” todo o poder sobre a Egrégora não foi informado sobre isso, mas sentiu diretamente na pele os efeitos pós-operatórios, com um aumento considerável de influência e poder dentro do próprio evento (conforme veremos a seguir).

Após a execução dessa operação, o evento voltou a ser realizado no mês seguinte, já no ano de 2014. E para minha surpresa, observei padrões de comportamento que me fizeram ter absoluta certeza da eficácia da operação realizada:

  • Diminuição progressiva de minha influência sobre o público frequentador do espaço coordenado por meu organizador;
  • Diminuição de meu “prestígio” entre os próprios organizadores novos do setor, recrutados pelo novo coordenador; essa diminuição se deu ao ponto de minha referência ser esquecida até mesmo nas fotos tiradas do setor;
  • Intensa sensação de paz e tranquilidade, como a muito tempo não sentia (inclusive com a sensação de ter feito algo ‘”correto”, e de ter me “livrado de um peso”).

Após essa transferência mágica de autoridade, e meu desligamento formal como coordenador do espaço que comandei nesse evento por mais de uma década, a Egrégora do setor sofreu um duro golpe, mesmo que a operação realizada não tenha tido a intenção direta de “matá-la”. A procura de público no setor caiu drasticamente, fazendo com que a Egrégora “arquejasse” como um morto-vivo, esvaziada e sem “alimento” suficiente para manter-se viva. Isso fez com que o próprio evento decidisse por extinguir de forma definitiva o antigo formato do setor, reestruturando-o com uma nova roupagem, e modificando a estrutura do espaço com novas atividades. Isso fez com que a Egrégora definitivamente ganhasse vida nova, um novo formato e um novo comando, “morrendo para sua vida antiga”, e “nascendo para uma nova vida”, sob novo líder.

Nem toda Egrégora é “boa”; na verdade, as Egrégoras são amorais, e estão mais preocupadas com sua própria sobrevivência, que com os valores defendidos pelo ser humano.

Como você, caro leitor, deve ter percebido, as Egrégoras não são necessariamente “boas”, e sua “proteção” pode ser colocada em xeque, caso sua alimentação esteja sob risco. O ataque mágico que sofri, por conta de minha decisão em me desligar de um evento (e da Egrégora que criei e liderei por 10 anos), é uma prova cabal de que as Egrégoras estão primordialmente interessadas em seu própria sustento, e na manutenção de suas próprias existências. Provavelmente, não fosse a operação de contra-ataque que executei, ainda estaria envolvido emocionalmente com essa Egrégora, podendo ter ainda mais dissabores com ela.

Tudo isso, porém, não faz das Egrégoras “vilãs” ou “más”; pelo contrário: se o Mago souber manter relação saudável, madura e experiente com qualquer Egrégora, ele pode vir a se beneficiar de sua “proteção” e de seus “presentes”. Porém, se essa relação não for madura, e se o Mago não deixar sua Vontade e Autoridade explícitas diante de qualquer Egrégora (especialmente no momento de desligamento delas), ele pode vir a ser obsidiado por elas, que não pensarão duas vezes, antes de atacar seus criadores, líderes ou membros, em troca de “alimento” (dedicação e divulgação).

REFERÊNCIAS:

FORTUNE, Dion. Autodefesa psíquica. 12ª ed. Editora Pensamento. São Paulo: 2014.

__. Aspectos do Ocultismo. 3ª ed. Editora Pensamento. São Paulo, 2000.

PAPUS. Tratado de Ciências Ocultas, Vol. 1. Biblioteca Planeta, Editora Três. São Paulo: 1973.

SÉGURET, Michélle. A Egrégora. Paris: 2019. Disponível em https://document.onl/documents/a-egregora-michele-seguret.html.

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