Maléfico ou maligno? Uma análise da influência saturnina na pandemia mundial

Por Frater M.F
societassalomonica@yahoo.com

A saúde mundial vive uma crise sem precedentes desde a expansão do Coronavírus (a partir de janeiro). A pandemia ocasionada pelo Covid-19 tem afetado a humanidade não apenas no que diz respeito à saúde, mas em todos os demais aspectos da existência humana.

O isolamento acarretado pela doença é até o momento, a única forma de combate eficaz contra a expansão descontrolada do vírus, e esse isolamento tem afetado diretamente a economia mundial, a política (de modo amplo) e até mesmo as próprias relações humanas (que precisaram ser reconsideradas sob aspectos até então inimagináveis ao homem contemporâneo).

O objetivo deste artigo não é fazer uma análise astrológica profunda da pandemia, ou mesmo analisar o Coronavírus de forma médica, política ou econômica. Também não temos a intenção de nos aproveitar do momento extremamente delicado em que a saúde mundial se encontra, para buscar algum tipo de audiência. Por último, também gostaríamos de ressaltar que não pretendemos fazer uma postagem “social” ou “humanitária” a respeito de como o Covid-19 deve ser combatido (embora essas postagens sejam úteis nesse momento). Para o leitor que quiser se aprofundar em discussões dessa natureza, a Internet já está devidamente abastecida com dezenas de sites especializados em análises sócio-políticas da pandemia mundial e de suas possíveis consequências sobre o modo de vida do homem moderno.

Neste artigo tentaremos fazer uma breve análise das principais características manifestadas na pandemia de Coronavírus até este momento, à luz da Astrologia Tradicional, mostrando ao leitor que essas características claramente possuem um viés de ação característico de Saturno. Com isso, demonstraremos que o Covid-19 é uma doença tipicamente saturnina, partindo do pressuposto de que Saturno encontra-se atualmente em seu espectro mais intenso de manifestação, iniciando sua regência de ciclo astrológico de 36 anos (a chamada “Era Astrológica”).

Para os estudos apresentados neste ensaio usaremos o paradigma filosófico da Astrologia Tradicional (enquanto arte-base do Trivium Hermético da Tradição Espiritual Ocidental). Com isso, esperamos que o artigo possa deixar claro ao leitor que as características planetárias apresentadas neste ramo da Astrologia não representam apenas “informações teóricas” sobre os planetas (divulgadas a título de curiosidade), mas sim características concretas que se manifestam no mundo físico de forma visível, uma vez que a Astrologia por si só, é o estudo dos astros e de sua influência sobre a vida do ser humano, e não apenas o estudo dos signos (ROMANO, 2011).

  1. Saturno: um planeta “mau”?

Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro ao leitor as diferenças entre o conceito de “maléfico” e “maligno”. Essa diferenciação é importante para eliminarmos a definição errada adotada por muitos leitores descompromissados de Astrologia, de que Saturno “é um planeta mau”.

De forma simplificada, a Astrologia Tradicional divide os 7 planetas clássicos em três grupos: os luminares (Sol e Lua); os planetas benéficos (Vênus e Júpiter); e os planetas Maléficos (Marte e Saturno). Mercúrio por sua vez, não encaixa-se em nenhum desses três grupos, porque suas características irão depender sempre do planeta com o qual estiver se relacionando no céu. E Urano, Netuno e Plutão (os chamados “planetas transaturninos”) não são utilizados no ramo tradicional da Astrologia.

A divisão de planetas em “benéficos” e “maléficos”, muitas vezes é interpretada de forma equivocada pelos estudantes contemporâneos da Astrologia: é comum que o termo “maléfico” seja associado a “maligno” (o que de certa forma é compreensível, já que ambos os termos possuem uma raíz semântica comum: a maldade).

Originada do termo em Latim “maleficus”, a palavra “maléfico” é inapelavelmente ligada a aspectos desagradáveis e indesejados à vida humana. Uma pesquisa rápida ao dicionário, nos comprova que os significados do termo remetem (ou fazem alusão direta) a palavras como “sofrimento”, “dor” e “danos”:

Que ocasiona danos; que causa prejuízo; em que há malefícios; que é nocivo; lesivo. Que possui uma tendência (natural) para o mal; que é malvado; maligno ou malévolo. Que exerce uma péssima influência sobre algo ou alguém; que não é favorável nem faz bem; desfavorável. (DICIONÁRIO ONLINE DE PORTUGUÊS, 2020, grifo nosso).

Dentro da Astrologia Tradicional Saturno é considerado “o grande maléfico”, e sua influência diz respeito à saúde, ao corpo, à contração e à lentidão dos planos humanos.

De fato, todas essas características podem ser facilmente atribuídas a Saturno: é a ele que cabe, na Astrologia Tradicional, a “colheita do que se semeia”. Saturno é descrito astrologicamente como um planeta “frio e seco”, sendo considerado na Astrologia Tradicional “o grande maléfico”, já que segundo Monteiro (2014, p. 119) ele é o planeta “da contração, do fim e da morte”. Não à toa, um dos principais símbolos saturninos encontrados em pantáculos de Magia Clássica, é a figura do “ceifador” (simbolizado por um esqueleto que representa a morte “colhendo” aquilo que é de sua responsabilidade); ou a figura do “velho sábio”, lento e consumido pelo tempo, mas que ainda possui consciência para cobrar aquilo “que lhe é de direito”.

Todavia…devemos considerar que apesar de Saturno exercer sua influência sobre a vida humana de forma maléfica, isso não faz deste planeta um astro necessariamente “mau” (do ponto de vista moral). Saturno não é um planeta “maligno”, pois assim como os demais planetas, ele cumpre uma função na Criação; assim, todos os astros têm uma missão no Universo e suas características servem ao plano maior idealizado por Deus, que é Todo-Poderoso.

O fato de Saturno ser classificado como o “grande maléfico”, diz mais respeito a como sua influência é recebida pelos seres humanos, e não somente à natureza do planeta. Os efeitos saturninos de fato são desagradáveis à humanidade: Saturno deixa a vida do homem mais “lenta” e “pesada” (como ele próprio é); atrasa os planos do ser humano, e dificulta a expansão, a realização e o progresso das iniciativas humanas (uma vez que é um planeta de contração, e não de expansão). Além de tudo isso, Saturno é o responsável direto (astrologicamente falando) pela saúde do homem, atuando diretamente sobre seu corpo.

Dentro da Astrologia Tradicional, nenhum dos 7 planetas é considerado “bom” ou “mau”. A divisão dos astros em “benéficos” e “maléficos” diz respeito à como suas influências são sentidas no plano terrestre.

Dentro da Astrologia Tradicional, nenhum dos 7 planetas é considerado “bom” ou “mau”. A divisão dos astros em “benéficos” e “maléficos” diz respeito à como suas influências são sentidas no plano terrestre.

Porém, por mais frio e seco que seja, e ainda que sua natureza seja contrária à expansão, Saturno não é o “pior” planeta que existe; e por mais incrível que essa afirmação possa parecer, ela é verdadeira por um motivo muito simples: filosoficamente (e empiricamente!) falando, para a Astrologia Tradicional não existem planetas “bons” ou “maus”. Todos os planetas podem influenciar a vida humana de maneira agradável ou desagradável, e não é somente a natureza de um astro (ou suas características gerais) que farão dele um planeta benéfico ou maléfico, mas também as relações que mantém entre si no céu, o sect que ocupam (diurno ou noturno) e o signo no qual estão localizados.

Seguindo esse raciocínio, até mesmo o Sol pode ter efeitos maléficos se estiver perto demais de outro planeta (deixando esse planeta em “combustão”); e mesmo Saturno pode ter efeitos “menos nocivos” (ou até neutros!) se estiver “enfraquecido” e/ou bem relacionado com outros planetas no céu. Isso derruba o mito da “maldade saturnina” em detrimento da “bondade” de outros planetas (como Vênus ou Júpiter), uma vez que:

[…] “Todos os planetas são bons; na sua ordem de existência, são perfeitos porque simbolizam qualidades essenciais que todos os seres humanos têm. No entanto, nem sempre agem conforme essas qualidades. Algumas vezes podem estar prejudicados por algum entrave: num local do céu que signifique obstrução de ação, ou sob influência de outro planeta, ou lentos demais.” (MONTEIRO, 2014, p. 123)

Que fique claro ao leitor que não estamos aqui negando as características maléficas de Saturno ou sua natureza restritiva. Tampouco iremos usar de eufemismo para disfarçar as retrações impostas por Saturno (ao contrário da Astrologia Moderna que o classifica como “um grande desafio a ser superado”). O que queremos deixar claro ao leitor, é que todos os planetas cumprem uma função na Criação (de acordo com sua natureza), e essa natureza não os torna necessariamente “bons” ou “maus”.

Entender isso requer um esforço de compreensão por parte do leitor, de toda a filosofia que envolve a Astrologia Tradicional dentro da Tradição Espiritual Ocidental, considerando os planetas não só como astros que se movem ao longo do céu, mas como seres vivos: espíritos que atuam diretamente na vida do plano terrestre, ou até mesmo como moradas celestiais desses espíritos (HUTTIN, 1970). Assim, o conceito de “benéfico” e “maléfico” usado na Astrologia Tradicional diz respeito à como as características dos planetas são recebidas na vida humana (de forma agradável ou desagradável).

  1. Covid-19: uma doença tipicamente saturnina

Desde que a pandemia de Coronavírus eclodiu a nível mundial, as características dessa doença e de sua manifestação mostraram-se claramente saturninas. Vale lembrar que astrologicamente, estamos vivenciando o chamado “Ciclo de Saturno” (iniciado em 2017): isso coloca o astro como regente astrológico das ações humanas durante os próximos 36 anos, fazendo de Saturno o principal dispositor dos acontecimentos históricos da humanidade.

Colocada desta maneira, e a partir do que já discutimos neste artigo, percebemos que a influência saturnina sobre a humanidade desde 2017, tem se concentrado em aspectos caros à regência do planeta. Dentre eles:

a) Um crescimento/fortalecimento de certa moralidade a nível mundial, questionando valores políticos e/ou filosóficos adotados no ciclo anterior (considerados “libertinos”). Esse questionamento moral saturnino pode ser presenciado através do fortalecimento político de movimentos de Direita ao redor do planeta;

b) Um crescente questionamento ao sentimento de “auto-promoção” e “auto-divulgação” predominantes no ciclo anterior (Ciclo do Sol), considerando essas características como posturas egoístas e focadas na busca do sucesso individual (principalmente através das redes sociais);

c) Um choque de consciência a nível mundial sobre os costumes e o modo de vida do homem moderno, através de uma influência nefasta sobre a saúde da humanidade (por meio da pandemia de Corona-Vírus).

É justamente sobre essa última característica da manifestação saturnina em seu ciclo astrológico, que pretendemos dar atenção a partir de agora. Por isso, escolhemos aqui alguns aspectos que consideramos simbólicos no surto mundial de Covid-19, e que representam uma clara ação de Saturno a nível mundial.

1º Aspecto: O público-alvo atingido pelo Covid-19

De todos as características maléficas do Coronavírus, aquela que mais denuncia sua origem saturnina é o público atingido pela doença: entre os grupos de risco, os mais afetados na fase inicial da pandemia foram, de longe, os idosos.

Como já dissemos neste artigo, Saturno é o planeta que rege a 3ª idade, o corpo humano e as doenças. É o astro responsável pelas limitações de todo tipo (especialmente as limitações físicas, acarretadas por questões de saúde), já que “é o planeta da velhice, dos limites, das portas” (MONTEIRO, 2014, p. 119). Nesse caso, deve-se entender o termo “portas” como um eufemismo para “morte” (a porta entre os mundos).

A pandemia mundial tem efeitos preocupantes sobre os idosos, e o isolamento social, até o momento é a única forma de se combater de maneira eficaz a expansão do vírus. Por mais que o Covid-19 seja perigoso em qualquer idade, é sobre os indivíduos classificados no grupo de risco (em especial os de 3ª idade) que recai a maior preocupação de autoridades de saúde.

2º Aspecto: A mortalidade do Covid-19

A ação do Covid-19 também chama a atenção por sua agressividade: é notória (e assustadora) a quantidade de vítimas fatais do vírus.

Para se ter uma ideia, a epidemia mundial de H1N1 eclodida em 2009 (período astrológico de regência do Ciclo do Sol) fez bem menos vítimas que a pandemia de Coronavírus, mesmo sendo também uma epidemia mundial. O vírus H1N1 concentrou-se em países específicos (não se tornando uma pandemia), e apesar de ter acarretado muitas mortes nos países onde se manifestou, a quantidade de vítimas fatais divulgada nos meios de comunicação foi consideravelmente inferior ao número de vítimas do Coronavírus. Isso por si só já nos deixa claro que os efeitos de Saturno, no que diz respeito à saúde do ser humano, têm consequências fúnebres.

Como diz o célebre ditado popular, quando o assunto é saúde Saturno “não brinca em serviço”. Não há meio-termo aqui: doenças saturninas (mais do que as doenças regidas pelos demais planetas), podem levar o ser humano efetivamente à morte, já que “sua natureza é contrária à vida” (ROMANO, 2011, p. 43).

No atual surto de Covid-19, percebemos aspectos ainda mais graves que os óbitos gerados pela doença (e que também são características saturninas): a sobrecarga nos sistemas de saúde das grandes cidades, tem gerado uma falta de oferta de vagas em hospitais e até mesmo em cemitérios, fazendo com que certas cidades tenham de empilhar seus falecidos (sem poder enterrar as vítimas da doença!) ou os enterrem de maneira “indigente”. Esses fatos sombrios tornam a pandemia mundial ainda mais mórbida e são atestados da ação de Saturno, uma vez que ele é o planeta “dos mortos, dos cadáveres, dos carniceiros, do couro, do carvão, das cavernas e dos cemitérios” (MONTEIRO, 2014, p. 119).

3º Aspecto: A influência do Covid-19 a nível mundial, e a austeridade que o combate à doença exige

Mais do que uma doença regional ou um surto específico de uma nação, o Coronavírus rapidamente ganhou proporções mundiais, revelando-se um problema global não só por conta de seu alto índice de fatalidade, mas acima de tudo pelo impacto que ocasionou nas relações humanas.

O Coronavírus é acima de um tudo, um vírus austero: o combate efetivo à doença deve ser feito, prioritariamente, através do isolamento social e do reordenamento de todas as atividades da sociedade moderna. Isso inclui o cancelamento de eventos de quaisquer natureza, desde reuniões familiares até os grandes simpósios e encontros profissionais.

O isolamento social, por si só, já é uma “carteira de identidade” saturnina: o que seria mais afim à natureza de Saturno, um planeta que por natureza é frio e seco? Saturno não é um planeta de interações coletivas, de congregações sociais; ao contrário: é o planeta da individualidade e da reflexão, da lentidão e da morbidez.

A austeridade exigida no combate à doença também é uma forte característica saturnina: a batalha contra o Covid-19 deve ser feita com paciência e planejamento. O vírus não é um “soldado armado” que pode ser atingido com um tiro; é um inimigo invisível, sutil, que exige reflexão por parte de seus adversários. Assim, o Coronavírus deve ser combatido no dia-dia, em ações pequenas, pois como uma doença saturnina, “exige perseverança, disciplina, organização”, já que Saturno é o astro “da paciência, do estudo metódico, da rotina” (MONTEIRO, 2014, p. 119).

Por sua própria natureza, Saturno não é um planeta “livre” como os demais: sua ação é vagarosa e constante. Seus anéis simbolizam a característica de um planeta que não caminha “solto” como os demais, mas sim “contido” (Saturno encontra-se sempre cercado pelos anéis que o rodeiam…como se estivesse “preso”). E é justamente dessa característica mórbida que Saturno extrai sua fama de “prender” o ser humano e “puxar o freio” de suas ações: os efeitos de sua influência muitas vezes não são sentidos em tempo real, mas somente tempos após o início de sua manifestação. Essa é justamente uma das características principais da proliferação do Covid-19: em muitos casos, os infectados pela doença nem mesmo sabem que foram infectados, e só vão saber do fato após já terem se recuperado do vírus.

Os sintomas da Covid-19 são essencialmente saturninos, e revelam a forte influência que Saturno vem exercendo sobre a esfera terrestre.

A forte influência mundial do Coronavírus também deixa claro, a olhos visíveis (ao menos daqueles que estudam minimamente a Astrologia Tradicional), o grau de poder que Saturno exerce atualmente sobre a humanidade: o planeta encontra-se há 3 anos em seu próprio Ciclo de Regência (que durará ainda mais 33 anos!), estando domiciliado (e ainda mais fortalecido!) no signo de Capricórnio desde 2017, e permanecendo em seu signo domiciliar no mínimo até o final de 2020.

Saturno e Júpiter estabeleceram relações de cooperação cosmológica em 2019 (poucos meses antes da pandemia mundial de Coronavírus eclodir a nível mundial), comprovando o fato de que, na Astrologia Tradicional, não existem “mocinhos” ou “vilões”: todos os planetas cumprem sua missão no Universo criado pelo Todo-Poderoso.

Saturno e Júpiter estabeleceram relações de cooperação cosmológica em 2019 (poucos meses antes da pandemia mundial de Corona-Vírus eclodir a nível mundial), comprovando o fato de que, na Astrologia Tradicional, não existem “mocinhos” ou “vilões”: todos os planetas cumprem sua missão no Universo criado pelo Todo-Poderoso.

Vale ressaltar que em 2019, Saturno e Júpiter estabeleceram relação de Antiscion três vezes durante o ano, sendo a última delas manifestada em setembro (poucos meses antes do surto de Coronavírus eclodir). Na Astrologia Tradicional, Antiscion simboliza uma relação de mútuo respeito entre 2 ou mais planetas que estão bem localizados no céu (e portanto, fortalecidos). Planetas em Antiscion podem inclusive colaborar mutuamente em certas questões…o que sugere que a rápida expansão do Covid-19 e sua atuação como uma doença mundial, se deve também (além do fato de Saturno estar em sua Era de regência e domiciliado) à colaboração prestada por Júpiter (um planeta classificado como benéfico!) na Antiscion estabelecida em setembro de 2019 (o que enterra de uma vez por todas a ideia de que certos planetas podem ser “bons” ou “maus” na Astrologia Tradicional).

Essa configuração de céu de Saturno, por si só, simboliza uma necessidade de reflexão do ser humano sobre seu destino e sobre seu modus operandi diante do mundo (nos aspectos econômico, social, político, filosófico, etc.). De certa forma, a ação de Saturno a nível mundial tem um aspecto positivo: força a reflexão e o questionamento da humanidade aos rumos que estava dando ao planeta e à própria existência humana.

  1. Combater o Covid-19 é combater Saturno?

A resposta pura e simples a essa pergunta é NÃO.

Ao longo de todo este artigo, constatamos algo que já vem sendo divulgado de forma intensa nas diversas mídias: o Covid-19 tem de ser combatido de maneira organizada, planejada e austera. E infelizmente, não percebemos que isso esteja sendo feito (não no volume em que deveria estar sendo feito!) por parte do governo brasileiro.

Ainda assim, chamamos a atenção do leitor para o fato de que o combate ao Covid-19 não representa necessariamente um combate à Saturno. Conforme apresentamos neste ensaio, todos os 7 planetas da Astrologia Tradicional possuem características que os tornam ímpares, e que são manifestadas na vida do ser humano em maior ou menor grau. Isso os torna parte efetiva da Criação, com uma missão específica ditada por Deus Todo-Poderoso, fazendo com que os astros fujam dos estereótipos de “bons” ou “maus”.

Ainda assim, não negamos a natureza maléfica que Saturno possui, sendo acima de tudo, um planeta cujos efeitos são desagradáveis ao ser humano. Porém, ainda que seja um astro rigoroso, Saturno tem um papel no cosmos: chamar a atenção do homem para a necessidade de disciplina e organização em sua vida.

É comum que o homem moderno perca o foco de seus objetivos e se entregue à materialidade iluminista, esquecendo sua espiritualidade e seus objetivos de vida enquanto ser pertencente a um Plano Cósmico maior que ele mesmo. Via de regra, isso demonstra ser uma atitude imprudente, uma vez que conforme São Paulo nos relata em sua 1ª Carta aos Coríntios, “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém” (1 Cor, 12).

Saturno é um planeta “duro”, e suas características não podem e nem devem ser desconsideradas (como a Astrologia Moderna erroneamente o faz). Tratar Saturno como um mero “desafio a ser superado” é um erro crasso cometido por muitos astrólogos modernos… e esse erro, além de se caracterizar como infantil, é também potencialmente perigoso.

A você, caro leitor, desejamos nossos sinceros votos de que seu isolamento seja proveitoso e espiritualizado no combate ao Covid-19: aproveite esse momento para atualizar suas leituras sobre a Tradição Espiritual Ocidental e sobre as 3 Artes do Trivium Hermético. E acima de tudo: tenha em mente que o combate ao Covid-19 não é uma “guerra contra Saturno”, mas uma prevenção às influências desagradáveis que Saturno, por natureza, é capaz de proporcionar sobre a vida humana.

Nem só de prazeres pode viver o homem: a busca pela “felicidade eterna” é uma falácia iluminista que banhou a modernidade. Porém, o estudante da Tradição Espiritual Ocidental deve acima de tudo, ser também consciente, responsável e humilde, sabendo se preparar para momentos de júbilo e momentos de tristeza.

E é assim que a vida terrestre deve ser conduzida: como uma jornada necessária e uma graça concedida por Deus Altíssimo, do alto de sua misericórdia. Assim, uma vez visto desse ponto, Saturno passa a ser interpretado não como um “vilão maligno”, mas como um integrante do Plano divino estabelecido na Criação.

REFERÊNCIAS

BÍBLIA SAGRADA. 1ª Carta de São Paulo Apóstolo aos Coríntios. Capítulo 6, versículo 12.

HUTTIN, Serge. História da Astrologia. Lisboa: Edições 70, 1970.

MONTEIRO, Marcus Vinicius. Introdução à Astrologia Ocidental. São Paulo: edição do autor, 2014.

ROMANO, Clélia. Fundamentos da Astrologia Tradicional. 2ed. São Paulo: edição do autor, 2011.

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